Monday, December 03, 2007
Da Série Profissões Alternativas: Assassinos de Aluguel VIP Deluxe
- Assassinos de aluguel VIP deluxe, com quem eu falo?
- Aqui é o Carlos... Aí que é da Assassinos de aluguel VIP Deluxe?
- Foi o que acabamos de dizer, senhor. Em que podemos ajudar?
- É que eu estava pensando em matar minha mulher, e vi o anúncio de vocês no jornal. Aqui tá escrito que vocês “matam com glamour”, como é isso?
- Bem, senhor, nós nos diferenciamos por dar à vítima um tratamento VIP, transformando a morte do seu ente querido em uma experiência agradável e inesquecível.
- Ah, é exatamente o que eu estou procurando. Afinal... Tudo bem, eu quero matar minha mulher para ficar com a sua herança e fugir para o Panamá com minha amante vinte e cinco anos mais nova? Quero, mas nem por isso quero ver ela sofrendo. A Marta é a mãe dos meus filhos, porra! Eu quero que ela morra com dignidade!
- E foi exatamente por isso que criamos esse serviço, senhor. Que tipo de morte o senhor tem em mente, senhor?
- Não sei... Talvez alguma coisa na Europa, a Marta adora a Europa.
- Um pacote na Europa que está saindo muito é o Jim Morrison, senhor.
- Jim Morrison?
- Sim, senhor. Nós levamos ela para Paris, e simulamos uma morte misteriosa, numa possível overdose de heroína, na banheira de um hotel cinco estrelas. Uma morte bastante glamourosa, com ar de rock star.
- Não, não, isso não é muito a cara da Marta... Que mais vocês têm na Europa?
- Temos o pacote terrorista, senhor. Mandamos ela para Londres e simulamos um ataque terrorista em que ela seria o único alvo. Assim ela morreria como uma verdadeira vítima do terrorismo, seria conhecida mundialmente, receberia várias homenagens, como músicas do Elton John, e, quem sabe, talvez até virasse santa.
- Não, não... A Marta é atéia e odeia o Elton John... E nos Estados Unidos, vocês têm alguma coisa?
- Temos a morte Marilyn Monroe. Induzimos uma overdose de remédios para dormir nela, e deixamos seu corpo com uma linda camisola de seda e jóias caríssimas, para ser encontrado pela camareira do hotel. Sem dúvida uma morte muito romântica e glamourosa, lembrando a Hollywood dos tempos dourados.
- Perfeito! A Marta adora a Marilyn Monroe, fez quinze plásticas para ficar parecida com ela! Tá certo que ela ficou a cara da Rogéria... Mas ela adora a Marilyn Monroe! Ah, é isso mesmo que eu quero para a mulher que eu amo e quero ver morta... Por quanto sai esse?
- Esse pacote, com todas despesas incluídas, vai estar saindo por trinta e cinco mil e setecentos, senhor.
- Quanto?
- Trinta e cinco mil e setecentos, senhor.
- Trinta e cinco mil e setecentos?
- Trinta e cinco mil e setecentos, senhor.
- Sei... É, o preço tá um pouco alto... Realmente não esperava tanto... É, tá bem alto, mesmo...
- Sinto muito, senhor, mas o assassinato VIP Deluxe não é algo barato.
- É, tô vendo... Bem, acho que vou ter que achar alguém mais barato... Mas obrigado mesmo assim.
- A Assassinos de aluguel VIP Deluxe agradece a sua ligação, senhor.
Para economizar, Carlos contratou o Cabeça de Verruga, o assassino mais barato de seu bairro. Nada discreto, Cabeça de Verruga matou Marta com um facão de açougueiro enquanto ela estava caminhando pela feira livre. Marta caiu de bruços, em cima dos restos da barraca de peixe, com o rosto no chão e as pernas dobradas, o que deixou sua bunda à mostra e apontada para o ar, e o facão de açogueiro enterrado nas suas costas. Tudo isso em meio a vísceras de cação e restos de camarão. Não foi uma morte muito glamourosa.
Cabeça de Verruga foi rapidamente pego, e logo entregou Carlos como mandante do crime. Depois de passar quinze anos na cadeia, hoje Carlos dá palestras em empresas sobre a importância de não economizar em serviços importantes. Mas não por muito tempo, sua ex-amante e agora esposa já contratou a Assassinos de aluguel VIP Deluxe. Escolheu o pacote Tim Lopes.
http://refluxogastrico.blogspot.com/
- Aqui é o Carlos... Aí que é da Assassinos de aluguel VIP Deluxe?
- Foi o que acabamos de dizer, senhor. Em que podemos ajudar?
- É que eu estava pensando em matar minha mulher, e vi o anúncio de vocês no jornal. Aqui tá escrito que vocês “matam com glamour”, como é isso?
- Bem, senhor, nós nos diferenciamos por dar à vítima um tratamento VIP, transformando a morte do seu ente querido em uma experiência agradável e inesquecível.
- Ah, é exatamente o que eu estou procurando. Afinal... Tudo bem, eu quero matar minha mulher para ficar com a sua herança e fugir para o Panamá com minha amante vinte e cinco anos mais nova? Quero, mas nem por isso quero ver ela sofrendo. A Marta é a mãe dos meus filhos, porra! Eu quero que ela morra com dignidade!
- E foi exatamente por isso que criamos esse serviço, senhor. Que tipo de morte o senhor tem em mente, senhor?
- Não sei... Talvez alguma coisa na Europa, a Marta adora a Europa.
- Um pacote na Europa que está saindo muito é o Jim Morrison, senhor.
- Jim Morrison?
- Sim, senhor. Nós levamos ela para Paris, e simulamos uma morte misteriosa, numa possível overdose de heroína, na banheira de um hotel cinco estrelas. Uma morte bastante glamourosa, com ar de rock star.
- Não, não, isso não é muito a cara da Marta... Que mais vocês têm na Europa?
- Temos o pacote terrorista, senhor. Mandamos ela para Londres e simulamos um ataque terrorista em que ela seria o único alvo. Assim ela morreria como uma verdadeira vítima do terrorismo, seria conhecida mundialmente, receberia várias homenagens, como músicas do Elton John, e, quem sabe, talvez até virasse santa.
- Não, não... A Marta é atéia e odeia o Elton John... E nos Estados Unidos, vocês têm alguma coisa?
- Temos a morte Marilyn Monroe. Induzimos uma overdose de remédios para dormir nela, e deixamos seu corpo com uma linda camisola de seda e jóias caríssimas, para ser encontrado pela camareira do hotel. Sem dúvida uma morte muito romântica e glamourosa, lembrando a Hollywood dos tempos dourados.
- Perfeito! A Marta adora a Marilyn Monroe, fez quinze plásticas para ficar parecida com ela! Tá certo que ela ficou a cara da Rogéria... Mas ela adora a Marilyn Monroe! Ah, é isso mesmo que eu quero para a mulher que eu amo e quero ver morta... Por quanto sai esse?
- Esse pacote, com todas despesas incluídas, vai estar saindo por trinta e cinco mil e setecentos, senhor.
- Quanto?
- Trinta e cinco mil e setecentos, senhor.
- Trinta e cinco mil e setecentos?
- Trinta e cinco mil e setecentos, senhor.
- Sei... É, o preço tá um pouco alto... Realmente não esperava tanto... É, tá bem alto, mesmo...
- Sinto muito, senhor, mas o assassinato VIP Deluxe não é algo barato.
- É, tô vendo... Bem, acho que vou ter que achar alguém mais barato... Mas obrigado mesmo assim.
- A Assassinos de aluguel VIP Deluxe agradece a sua ligação, senhor.
Para economizar, Carlos contratou o Cabeça de Verruga, o assassino mais barato de seu bairro. Nada discreto, Cabeça de Verruga matou Marta com um facão de açougueiro enquanto ela estava caminhando pela feira livre. Marta caiu de bruços, em cima dos restos da barraca de peixe, com o rosto no chão e as pernas dobradas, o que deixou sua bunda à mostra e apontada para o ar, e o facão de açogueiro enterrado nas suas costas. Tudo isso em meio a vísceras de cação e restos de camarão. Não foi uma morte muito glamourosa.
Cabeça de Verruga foi rapidamente pego, e logo entregou Carlos como mandante do crime. Depois de passar quinze anos na cadeia, hoje Carlos dá palestras em empresas sobre a importância de não economizar em serviços importantes. Mas não por muito tempo, sua ex-amante e agora esposa já contratou a Assassinos de aluguel VIP Deluxe. Escolheu o pacote Tim Lopes.
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Friday, November 30, 2007
A Dor da Culpa
- Oi, filho.
- Oi, pai.
- Que carinha é essa? Algum problema?
- Hein? Não, pai, não. Nada de mais.
- Filho, eu sou seu pai, e sei quando tem alguma coisa errada com você. Abre o coraçãozinho, vai.
- Bem, é que... Outro dia acordei com uma puta morta do meu lado.
- Uma puta morta, é?
- Sim, pai, foi horrível!
- Ora, filho, isso é normal! Você não sabe que as putas são cheias de doenças, micróbios e tudo mais? Então, elas morrem toda hora.
- Eu sei pai, mas o problema é que... Eu acho que fui eu que matei!
- Foi, é?
- Foi, pai, foi! Eu não lembro direito como aconteceu, tava muito louco naquele dia, mas acordei segurando uma arma, e ela não acordou com três tiros na cabeça!
- E quem disse que foi você quem matou? Quer dizer, alguém pode ter atirado e colocado a arma na sua mão enquanto você dormia.
- Mas era uma semi-automática igualzinha a que você me deu de natal!
- Ora, existem muitas semi-automáticas no mundo, e...
- Mas essa estava com uma etiqueta escrita de papai para Gabriel!
- Tava, é?
- Tava!
- É, então foi você mesmo. Mas e daí?
- E daí? E daí? E daí que eu matei uma mulher, a culpa está me matando! Eu não sei como vou conseguir viver com isso!
- Ah, garotinho ingênuo... Senta aqui que papai vai te ensinar uma coisa. Culpa só existe quando é dos outros. Quando é com a gente não é culpa, é acidente. Entendeu?
- Não!
- Um exemplo: se alguém entrasse no seu quarto, pegasse sua arma e desse três tiros na puta do seu lado, ele seria culpado, certo? Você ficaria revoltado, daria entrevista pro Datena, e quando capturassem o infeliz exigiria pena de morte.
- Mas fui eu que matei!
- Exatamente. Foi você que matou, portanto foi acidente. Você tava limpando a arma e ela disparou, acidente!
- Mas foram três tiros!
- Bem, você queria deixar ela bem limpa, acidente!
- Acidente, é?
- Acidente!
- Mas eu ainda sinto um pesinho na consciência...
- É só matar ela com álcool!
- É... Tem razão pai, tem razão, foi acidente! Obrigado pai, você é o maior!
- Que isso, filho, estamos aqui pra isso.
- Vou correndo contar pra mamãe!
- Er, filho, acho melhor não...
- Mamãe, o papai falou que culpa só existe quando é... Mamãe?! Aaaaaiiiiii! A mamãe morreu! Esfaquearam a mamãe! Pai, o que aconteceu?!
- É que... Foi acidente!
- Acidente?!
- Acidente!
- Acidente, é?
- É...
- Sei... Hahahahaha, ai papai, você não tem jeito mesmo!
- Hehe, eu sei, eu sei... Mas e aí, partiu Ice?
- Partiu! Mas e essa sujeira toda de sangue na cozinha?
- Ah, deixa aí que sua mãe limpa!
- Tá certo, a minha mãe... Ei!... Hahahahaha!
- Uhuhuhuhuhu!
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- Oi, pai.
- Que carinha é essa? Algum problema?
- Hein? Não, pai, não. Nada de mais.
- Filho, eu sou seu pai, e sei quando tem alguma coisa errada com você. Abre o coraçãozinho, vai.
- Bem, é que... Outro dia acordei com uma puta morta do meu lado.
- Uma puta morta, é?
- Sim, pai, foi horrível!
- Ora, filho, isso é normal! Você não sabe que as putas são cheias de doenças, micróbios e tudo mais? Então, elas morrem toda hora.
- Eu sei pai, mas o problema é que... Eu acho que fui eu que matei!
- Foi, é?
- Foi, pai, foi! Eu não lembro direito como aconteceu, tava muito louco naquele dia, mas acordei segurando uma arma, e ela não acordou com três tiros na cabeça!
- E quem disse que foi você quem matou? Quer dizer, alguém pode ter atirado e colocado a arma na sua mão enquanto você dormia.
- Mas era uma semi-automática igualzinha a que você me deu de natal!
- Ora, existem muitas semi-automáticas no mundo, e...
- Mas essa estava com uma etiqueta escrita de papai para Gabriel!
- Tava, é?
- Tava!
- É, então foi você mesmo. Mas e daí?
- E daí? E daí? E daí que eu matei uma mulher, a culpa está me matando! Eu não sei como vou conseguir viver com isso!
- Ah, garotinho ingênuo... Senta aqui que papai vai te ensinar uma coisa. Culpa só existe quando é dos outros. Quando é com a gente não é culpa, é acidente. Entendeu?
- Não!
- Um exemplo: se alguém entrasse no seu quarto, pegasse sua arma e desse três tiros na puta do seu lado, ele seria culpado, certo? Você ficaria revoltado, daria entrevista pro Datena, e quando capturassem o infeliz exigiria pena de morte.
- Mas fui eu que matei!
- Exatamente. Foi você que matou, portanto foi acidente. Você tava limpando a arma e ela disparou, acidente!
- Mas foram três tiros!
- Bem, você queria deixar ela bem limpa, acidente!
- Acidente, é?
- Acidente!
- Mas eu ainda sinto um pesinho na consciência...
- É só matar ela com álcool!
- É... Tem razão pai, tem razão, foi acidente! Obrigado pai, você é o maior!
- Que isso, filho, estamos aqui pra isso.
- Vou correndo contar pra mamãe!
- Er, filho, acho melhor não...
- Mamãe, o papai falou que culpa só existe quando é... Mamãe?! Aaaaaiiiiii! A mamãe morreu! Esfaquearam a mamãe! Pai, o que aconteceu?!
- É que... Foi acidente!
- Acidente?!
- Acidente!
- Acidente, é?
- É...
- Sei... Hahahahaha, ai papai, você não tem jeito mesmo!
- Hehe, eu sei, eu sei... Mas e aí, partiu Ice?
- Partiu! Mas e essa sujeira toda de sangue na cozinha?
- Ah, deixa aí que sua mãe limpa!
- Tá certo, a minha mãe... Ei!... Hahahahaha!
- Uhuhuhuhuhu!
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Monday, November 26, 2007
As Aventuras de Suzana, a Atriz Pornô Recém Aposentada.
- Ô, mas olha quem está chegando aqui! Susana Vulva, como é que você tá!?
- Ai, Carlos, ocupadíssima, ocupadíssima!
- Tô vendo, você tá agitada, nervosa... Senta aqui no banco! E por que você está assim?
- É o meu trabalho, Carlos! E sabe como é: meu trabalho é duro, né?
Risadas falsas
- É... Mas não me diga que você voltou a fazer filmes pornográficos?!
- Claro que não, Carlos, claro que não!
- Ah, bom...
- Agora estou fazendo filmes de arte, europeus, coisa fina!
- Puxa, que legal! E sobre o que é o filme que você está fazendo?
- Ah, Carlos, é uma linda história de amor... Passada inteiramente em um motel...
Risadas falsas
- Uma história de amor passada em um motel?! E desde quando isso é romântico, Susana?
- Mas é claro que é romântico, Carlos! Você não se lembra porque faz tempo que não vai a um motel...
Risadas falsas
- Olha, Susana!...
- Esse não é um motel qualquer, Carlos! Tem piscina, cama redonda, espelho no teto, coisa de Hollywood!
- Sei, sei... Então é por isso que você está de roupão? Estava na piscina?
- Não, não, é porque eu visto o roupão nos intervalos das filmagens. Sabe como é: meu trabalho é duro, né?
Risadas falsas
- Mas se você veste o roupão nos intervalos, durante as filmagens veste o quê?
- Ué, nada!
Risadas falsas
- Nada?!
- Nada! Mas não vai pensar em besteira, isso é só uma opção artística do meu diretor, Pirocudo Comixana.
Risadas falsas
- Pirocudo Comixana?!
- É, ele é japonês, e disse que o nu representa nossa alma quando... quando... Bem, não lembro, mas representa alguma coisa muito artística e culta, o tipo de coisa que você não entenderia, não é, Carlos?
- Tô começando a entender que esse filme é uma putaria, isso sim...
- Putaria, não! Arte, Carlos, arte! Mas sabe como é: meu trabalho é duro, né?
Risadas falsas
- Sei, sei... E tô vendo que você está segurando um bebê, é seu filho?
- É sim, Carlos, está com cinco meses.
- Ah, que gracinha...
- Aliás, está na hora dele mamar. Mama, filhinho mama...
- Que bonitinho... Mas, Susana... Quantos meses mesmo você disse que ele tem, mesmo?
- Cinco meses, Carlos.
- E já fica de pau duro?!
Risadas falsas
- Claro que não... Ai meu Deus! Esse não é meu filho, é o Pau de Metro, o anão que faz par romântico comigo! Pau de Metro, onde ficou meu filho?!
- Bem, se ele trocou de lugar comigo, das duas uma: ou tá comendo ou tá chupando!
Risadas falsas
- Mas ele não pode comer agora!
- Mas é claro que não, meu Deus, com cinco meses!
- Não é isso, Carlos, é que se ele comer agora vai acabar brochando de noite! Mas sabe como é: meu trabalho é duro, né? Tchau, Carlos, tchau!
- Tchau, Susana! Ai, ai, essa Susana não tem jeito mesmo...
Risadas e aplausos falsos
E meu grande sonho se realizou: escrevi um texto para a Praça é Nossa. Não perca, na próxima 5º feira, Susana Vulva, marcando a volta de Edna Velho à praça, e o anão, interpretado pelo Buiú.
Certamente, um quadro que antes de estrear já é sucesso.
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- Ai, Carlos, ocupadíssima, ocupadíssima!
- Tô vendo, você tá agitada, nervosa... Senta aqui no banco! E por que você está assim?
- É o meu trabalho, Carlos! E sabe como é: meu trabalho é duro, né?
Risadas falsas
- É... Mas não me diga que você voltou a fazer filmes pornográficos?!
- Claro que não, Carlos, claro que não!
- Ah, bom...
- Agora estou fazendo filmes de arte, europeus, coisa fina!
- Puxa, que legal! E sobre o que é o filme que você está fazendo?
- Ah, Carlos, é uma linda história de amor... Passada inteiramente em um motel...
Risadas falsas
- Uma história de amor passada em um motel?! E desde quando isso é romântico, Susana?
- Mas é claro que é romântico, Carlos! Você não se lembra porque faz tempo que não vai a um motel...
Risadas falsas
- Olha, Susana!...
- Esse não é um motel qualquer, Carlos! Tem piscina, cama redonda, espelho no teto, coisa de Hollywood!
- Sei, sei... Então é por isso que você está de roupão? Estava na piscina?
- Não, não, é porque eu visto o roupão nos intervalos das filmagens. Sabe como é: meu trabalho é duro, né?
Risadas falsas
- Mas se você veste o roupão nos intervalos, durante as filmagens veste o quê?
- Ué, nada!
Risadas falsas
- Nada?!
- Nada! Mas não vai pensar em besteira, isso é só uma opção artística do meu diretor, Pirocudo Comixana.
Risadas falsas
- Pirocudo Comixana?!
- É, ele é japonês, e disse que o nu representa nossa alma quando... quando... Bem, não lembro, mas representa alguma coisa muito artística e culta, o tipo de coisa que você não entenderia, não é, Carlos?
- Tô começando a entender que esse filme é uma putaria, isso sim...
- Putaria, não! Arte, Carlos, arte! Mas sabe como é: meu trabalho é duro, né?
Risadas falsas
- Sei, sei... E tô vendo que você está segurando um bebê, é seu filho?
- É sim, Carlos, está com cinco meses.
- Ah, que gracinha...
- Aliás, está na hora dele mamar. Mama, filhinho mama...
- Que bonitinho... Mas, Susana... Quantos meses mesmo você disse que ele tem, mesmo?
- Cinco meses, Carlos.
- E já fica de pau duro?!
Risadas falsas
- Claro que não... Ai meu Deus! Esse não é meu filho, é o Pau de Metro, o anão que faz par romântico comigo! Pau de Metro, onde ficou meu filho?!
- Bem, se ele trocou de lugar comigo, das duas uma: ou tá comendo ou tá chupando!
Risadas falsas
- Mas ele não pode comer agora!
- Mas é claro que não, meu Deus, com cinco meses!
- Não é isso, Carlos, é que se ele comer agora vai acabar brochando de noite! Mas sabe como é: meu trabalho é duro, né? Tchau, Carlos, tchau!
- Tchau, Susana! Ai, ai, essa Susana não tem jeito mesmo...
Risadas e aplausos falsos
E meu grande sonho se realizou: escrevi um texto para a Praça é Nossa. Não perca, na próxima 5º feira, Susana Vulva, marcando a volta de Edna Velho à praça, e o anão, interpretado pelo Buiú.
Certamente, um quadro que antes de estrear já é sucesso.
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Lugar de Paz e Tranqüilidade
- Puta que o pariu, lá vem aquela perua escrota encher a porra do meu saco...
- Bom dia, padre.
- Bom dia, dona Narcisa, que surpresa agradável! Como vai a senhora?
- Ai, padre, nada bem, nada bem, eu...
- Desculpe interromper, mas é que nós não permitimos cachorros na igreja.
- AU, AU!
- Não se preocupe padre, eu não vou demorar. É que a minha vida anda tão sofrida, padre, tão sofrida!
- Ah é, é?...
- AU, AU!
- Ai Padre, é só problema pra cima da gente, só problema! Parece que Deus não quer que a gente tenha sossego, sabe?
- AU, AUUUUU, AU!
- Sabe o que é, dona Narcisa? A igreja é um lugar de paz e tranqüilidade, por isso não permitimos a entrada de cachorros.
- Não se preocupe, o Flocos é um anjo. Mas como eu ia dizendo, minha vida é só sofrimento, padre. Por exemplo, semana passada o André levou a namoradinha nova lá em casa, e... Ai, tenho até vergonha de dizer!
- UUUU... UAU!
- É que as outras pessoas que querem rezar podem se incomodar com os latidos...
- Ela é estudante de teatro, padre! De teatro! Já imaginou? Meu filho, André Albuquerque, casado com uma estudante de teatro?! E não é só isso, padre, ela tem um piercing na língua. Na língua! Uma devassa!
- RRRRR... AU, AU, AUUUUUU!
- O barulho pode incomodar as outras pessoas, dona Narcisa, por isso eu...
- Eu não vou demorar, não vou demorar! Mas entende, padre, entende por que ultimamente só o que tenho feito é chorar? Parece que ninguém pensa em mim! É a empregada que só limpa de baixo da geladeira quando toma um esporro meu, o vizinho que às oito da noite liga o som alto e só indo pessoalmente reclamar com ele para que ele desligue, o Flocos que não tem comido a ração nova importada direito, enfim, é tudo em cima de mim!
- AU, AU, AU, AUAUAU, AU, AU, AUAUAU, AU, AU!
- A igreja é um lugar de paz e tranqüilidade, por isso...
- E o pior você não sabe, padre. A bomba que caiu na minha cabeça ontem à noite! O Alberto, meu marido, me deu a notícia que vai ter que viajar pelo menos uma vez por mês a Nova York, a negócios. Uma vez por mês, padre! À Nova York! Com todo o terrorismo, e as bombas lá, e as guerras! Claro, ele vai passar a ganhar bem mais fazendo isso, mas será que ele não percebe o quanto eu vou sofrer?! Será que ninguém percebe minhas preocupações, minhas aflições, meu sofrimento?! Percebe por que eu choro tanto, Padre, como ninguém pensa em mim?!
- AAAAAUUUUUUUU!!! A-A-A-A-AUUUUUUUUUUU!!!
- A IGREJA! É UM LUGAR! DE PAZ! E TRANQÜILIDADE! MERDA! CACHORRO FILHO DA PUTA!
Descontrolado, o padre acertou um chute no animal que fez lembrar seus tempos de jogador de futebol de salão. O mascote voou porta afora e caiu bem no meio da rua, bem embaixo da roda de um caminhão de lixo que passava por ali em uma velocidade incrivelmente alta para um caminhão de lixo.
- AAAAAAAAAAAIIIIIIIIIIIIIIIII, FLOCOS! Padre, pelo amor de Deus, padre, o que o senhor fez, padre?! O senhor matou o Flocos!!!
- Eu?! Não, não, quer dizer... A culpa não foi minha, tá na bíblia, tá na bíblia!
- O que tá na bíblia, padre, pelo amor de Deus, o que tá na bíblia?!
- Está lá: “Chora sem motivo e receberás um motivo real para chorar”! Palavras da salvação!
- Mas... Eu nunca ouvi essa frase na vida... Aonde isso está na bíblia, padre, aonde?!
- Ah, tá por ali... Perto da carta aos corinthianos, eu acho.
- Carta aos corinthianos? O senhor não quer dizer carta aos Coríntios?
- É, é, é um troço desse aí... Então, tá por ali assim, por ali...
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- Bom dia, padre.
- Bom dia, dona Narcisa, que surpresa agradável! Como vai a senhora?
- Ai, padre, nada bem, nada bem, eu...
- Desculpe interromper, mas é que nós não permitimos cachorros na igreja.
- AU, AU!
- Não se preocupe padre, eu não vou demorar. É que a minha vida anda tão sofrida, padre, tão sofrida!
- Ah é, é?...
- AU, AU!
- Ai Padre, é só problema pra cima da gente, só problema! Parece que Deus não quer que a gente tenha sossego, sabe?
- AU, AUUUUU, AU!
- Sabe o que é, dona Narcisa? A igreja é um lugar de paz e tranqüilidade, por isso não permitimos a entrada de cachorros.
- Não se preocupe, o Flocos é um anjo. Mas como eu ia dizendo, minha vida é só sofrimento, padre. Por exemplo, semana passada o André levou a namoradinha nova lá em casa, e... Ai, tenho até vergonha de dizer!
- UUUU... UAU!
- É que as outras pessoas que querem rezar podem se incomodar com os latidos...
- Ela é estudante de teatro, padre! De teatro! Já imaginou? Meu filho, André Albuquerque, casado com uma estudante de teatro?! E não é só isso, padre, ela tem um piercing na língua. Na língua! Uma devassa!
- RRRRR... AU, AU, AUUUUUU!
- O barulho pode incomodar as outras pessoas, dona Narcisa, por isso eu...
- Eu não vou demorar, não vou demorar! Mas entende, padre, entende por que ultimamente só o que tenho feito é chorar? Parece que ninguém pensa em mim! É a empregada que só limpa de baixo da geladeira quando toma um esporro meu, o vizinho que às oito da noite liga o som alto e só indo pessoalmente reclamar com ele para que ele desligue, o Flocos que não tem comido a ração nova importada direito, enfim, é tudo em cima de mim!
- AU, AU, AU, AUAUAU, AU, AU, AUAUAU, AU, AU!
- A igreja é um lugar de paz e tranqüilidade, por isso...
- E o pior você não sabe, padre. A bomba que caiu na minha cabeça ontem à noite! O Alberto, meu marido, me deu a notícia que vai ter que viajar pelo menos uma vez por mês a Nova York, a negócios. Uma vez por mês, padre! À Nova York! Com todo o terrorismo, e as bombas lá, e as guerras! Claro, ele vai passar a ganhar bem mais fazendo isso, mas será que ele não percebe o quanto eu vou sofrer?! Será que ninguém percebe minhas preocupações, minhas aflições, meu sofrimento?! Percebe por que eu choro tanto, Padre, como ninguém pensa em mim?!
- AAAAAUUUUUUUU!!! A-A-A-A-AUUUUUUUUUUU!!!
- A IGREJA! É UM LUGAR! DE PAZ! E TRANQÜILIDADE! MERDA! CACHORRO FILHO DA PUTA!
Descontrolado, o padre acertou um chute no animal que fez lembrar seus tempos de jogador de futebol de salão. O mascote voou porta afora e caiu bem no meio da rua, bem embaixo da roda de um caminhão de lixo que passava por ali em uma velocidade incrivelmente alta para um caminhão de lixo.
- AAAAAAAAAAAIIIIIIIIIIIIIIIII, FLOCOS! Padre, pelo amor de Deus, padre, o que o senhor fez, padre?! O senhor matou o Flocos!!!
- Eu?! Não, não, quer dizer... A culpa não foi minha, tá na bíblia, tá na bíblia!
- O que tá na bíblia, padre, pelo amor de Deus, o que tá na bíblia?!
- Está lá: “Chora sem motivo e receberás um motivo real para chorar”! Palavras da salvação!
- Mas... Eu nunca ouvi essa frase na vida... Aonde isso está na bíblia, padre, aonde?!
- Ah, tá por ali... Perto da carta aos corinthianos, eu acho.
- Carta aos corinthianos? O senhor não quer dizer carta aos Coríntios?
- É, é, é um troço desse aí... Então, tá por ali assim, por ali...
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Tuesday, May 01, 2007
O ADVOGADO E O CONTADOR SURDO
Um chefão da Máfia descobriu que o seu contador lhe havia desviado dez
milhões de dólares.
Este contador era surdo. Por isto foi admitido pois, alem de ser um
deficiente físico, ele nada poderia ouvir para, depois, ter que
testemunhar em algum tribunal.
Quando o chefão foi dar um arrocho no contador sobre os $10.000.000,
levou junto seu advogado, que sabia a linguagem de sinais dos surdos. O
chefão perguntou ao contador: "Onde estão os U$ 10 milhões que você levou?"
O advogado usando a linguagem dos sinais perguntou ao contador onde
estavam escondidos os 10 milhões, que logo respondeu (em sinais): "Eu
não sei de que vocês estão falando".
O advogado traduziu para o chefão: "Ele disse não saber do que se
trata". O mafioso então sacou a pistola .45 e encostou-a na testa do
contador, gritando: "Pergunte a ele de novo..." O advogado sinalizando
para o infeliz : "Ele vai te matar se não contares onde está o dinheiro"
O contador sinalizou em resposta: "OK, vocês venceram, o dinheiro está
numa valise marrom de couro, enterrado no quintal da casa de meu primo
Enzo, no bairro de Queens!"
O mafioso perguntou ao advogado: "O que ele disse?" O advogado
respondeu: "Ele disse que você não é macho o bastante para puxar o
gatilho."
milhões de dólares.
Este contador era surdo. Por isto foi admitido pois, alem de ser um
deficiente físico, ele nada poderia ouvir para, depois, ter que
testemunhar em algum tribunal.
Quando o chefão foi dar um arrocho no contador sobre os $10.000.000,
levou junto seu advogado, que sabia a linguagem de sinais dos surdos. O
chefão perguntou ao contador: "Onde estão os U$ 10 milhões que você levou?"
O advogado usando a linguagem dos sinais perguntou ao contador onde
estavam escondidos os 10 milhões, que logo respondeu (em sinais): "Eu
não sei de que vocês estão falando".
O advogado traduziu para o chefão: "Ele disse não saber do que se
trata". O mafioso então sacou a pistola .45 e encostou-a na testa do
contador, gritando: "Pergunte a ele de novo..." O advogado sinalizando
para o infeliz : "Ele vai te matar se não contares onde está o dinheiro"
O contador sinalizou em resposta: "OK, vocês venceram, o dinheiro está
numa valise marrom de couro, enterrado no quintal da casa de meu primo
Enzo, no bairro de Queens!"
O mafioso perguntou ao advogado: "O que ele disse?" O advogado
respondeu: "Ele disse que você não é macho o bastante para puxar o
gatilho."
Teste de QI - O mudo e o cego vão às compras
Uma pessoa muda quer comprar uma escova de dentes. Imitando alguém escovando os dentes, ele consegue se fazer entender pelo vendedor e a compra é realizada com êxito. Se tiver um cego querendo adquirir um par de óculos escuros, como ele deveria se expressar para se fazer entender? Pense no assunto antes de descer a página até a resposta.
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Basta ele falar “Ow, me dá um óculos escuro aê!”. Afinal de contas ele é cego e não mudo!!!
Simples, não? Mas se você errou, aceite sua limitação intelectual e seja feliz! (Aposto que mó galera vai tentar se justificar com uma desculpa do tipo “Porra, mas é lógico! Só errei porque li muito depressa e nem pensei direito”)
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Basta ele falar “Ow, me dá um óculos escuro aê!”. Afinal de contas ele é cego e não mudo!!!
Simples, não? Mas se você errou, aceite sua limitação intelectual e seja feliz! (Aposto que mó galera vai tentar se justificar com uma desculpa do tipo “Porra, mas é lógico! Só errei porque li muito depressa e nem pensei direito”)
E foi quando um sujeito estranho da minha rua veio me perguntar..
"gostas de fofoca?"
ao que eu respondi:
"não, odeio fofocas.."
e o mesmo sujeito estranho me perguntou:
"e de pepeixe?"
u.u
"gostas de fofoca?"
ao que eu respondi:
"não, odeio fofocas.."
e o mesmo sujeito estranho me perguntou:
"e de pepeixe?"
u.u
Monday, April 30, 2007
Palavras que Deveriam Existir
Reza a lenda que os colonizadores ingleses, ao chegarem à Austrália, ficaram espantados em encontrar um estranho animal com uma bolsa na barriga que se locomovia dando largos pulos. O Capitão Cook mandou chamar um nativo e perguntou-lhe, usando gestos, qual era o nome daquele bicho. O aborígene respondeu: - Khan ghu ru, khan gu ru! Anos mais tarde, outros exploradores teriam descoberto o verdadeiro significado daquelas palavras. O índio, ao ver os sinais que lhe faziam os ingleses, responderam: - Não estou entendendo (ou seja, "khan ghu ru" no dialeto local).
Não é por nada não, mas esta história é engraçada demais para ser verídica, e me soa a lenda urbana. De qualquer modo, serve para ilustrar um assunto que sempre me interessou: etimologia, a ciência que estuda a origem das palavras. Por que chamamos o hipopótamo de "hipopótamo"? De onde cargas d'água surgiram vernáculos como "capicua", "ornitorrinco" e "vernáculo"?
Shakespeare, no ato 2 da peça Romeu & Julieta, tergiversa sobre o assunto: "O que há em um nome?/ Pois aquilo que chamamos de rosa/ Por qualquer outro nome/ Exalaria o mesmo doce perfume". Quem já estudou lingüística sabe que palavras não passam de signos lingüísticos previamente convencionados por um sistema de sinais. Ou seja, partem de uma relação semelhante à dos sinais de trânsito, cuja lógica arbitrária faz com que vermelho signifique "pare", e verde, "prossiga" (a não ser que você seja daltônico).
Contudo, cada palavra que utilizamos no dia-a-dia tem a sua história e reflete as evoluções culturais sofridas pela sociedade em que vivemos atualmente. Há quinze anos, quem imaginaria que palavras como "popozuda", "mouse" e "escanear" existiriam? Do mesmo modo, fico pensando se daqui a quinze anos meus sobrinhos conhecerão o significado de substantivos como "vitrola" ou expressões como "futebol-arte".
Idiomas são organismos vivos, que refletem as mudanças do mundo ao seu redor. Necessitam, pois, incorporar diariamente novos jargões, neologismos e estrangeirismos ao seu repertório, a fim de que possam sobreviver. Caso contrário, murcham e morrem, feito o latim e milhares de outras línguas e dialetos soterrados nestes séculos de civilização. Faz muito bem, pois, a última flor do Lácio, ao adaptar com ginga os anglicismos que vão sendo incorporados por seus poucos e fiéis seguidores, nesta verdadeira bacanal lingüística: é assim que "whisky" virou uísque, e "Whoop! There It Is" (refrão de uma música do grupo americano Tag Team) metamorfoseou-se no hino de todas as torcidas "uh tererê!".
Há um ótimo texto de Sérgio Augusto, publicado no Digestivo Cultural, que aborda este assunto. Em seu artigo "Para tudo existe uma palavra", Sérgio cita algumas palavras que gostaria que fossem adotadas pela língua portuguesa. Por exemplo: Razbliuto, palavra russa que significa o sentimento carinhoso que nutrimos por uma pessoa que um dia amamos. Ou Mamihlapinatapei, vocábulo genial que pertence a um idioma indígena da Terra do Fogo. E que quer dizer, simplesmente, o "ato de olhar nos olhos do outro, na esperança de que o outro inicie o que ambos desejam mas nenhum tem coragem de começar". Depois dessa, só posso dizer uma coisa: uau!
Não é por nada não, mas esta história é engraçada demais para ser verídica, e me soa a lenda urbana. De qualquer modo, serve para ilustrar um assunto que sempre me interessou: etimologia, a ciência que estuda a origem das palavras. Por que chamamos o hipopótamo de "hipopótamo"? De onde cargas d'água surgiram vernáculos como "capicua", "ornitorrinco" e "vernáculo"?
Shakespeare, no ato 2 da peça Romeu & Julieta, tergiversa sobre o assunto: "O que há em um nome?/ Pois aquilo que chamamos de rosa/ Por qualquer outro nome/ Exalaria o mesmo doce perfume". Quem já estudou lingüística sabe que palavras não passam de signos lingüísticos previamente convencionados por um sistema de sinais. Ou seja, partem de uma relação semelhante à dos sinais de trânsito, cuja lógica arbitrária faz com que vermelho signifique "pare", e verde, "prossiga" (a não ser que você seja daltônico).
Contudo, cada palavra que utilizamos no dia-a-dia tem a sua história e reflete as evoluções culturais sofridas pela sociedade em que vivemos atualmente. Há quinze anos, quem imaginaria que palavras como "popozuda", "mouse" e "escanear" existiriam? Do mesmo modo, fico pensando se daqui a quinze anos meus sobrinhos conhecerão o significado de substantivos como "vitrola" ou expressões como "futebol-arte".
Idiomas são organismos vivos, que refletem as mudanças do mundo ao seu redor. Necessitam, pois, incorporar diariamente novos jargões, neologismos e estrangeirismos ao seu repertório, a fim de que possam sobreviver. Caso contrário, murcham e morrem, feito o latim e milhares de outras línguas e dialetos soterrados nestes séculos de civilização. Faz muito bem, pois, a última flor do Lácio, ao adaptar com ginga os anglicismos que vão sendo incorporados por seus poucos e fiéis seguidores, nesta verdadeira bacanal lingüística: é assim que "whisky" virou uísque, e "Whoop! There It Is" (refrão de uma música do grupo americano Tag Team) metamorfoseou-se no hino de todas as torcidas "uh tererê!".
Há um ótimo texto de Sérgio Augusto, publicado no Digestivo Cultural, que aborda este assunto. Em seu artigo "Para tudo existe uma palavra", Sérgio cita algumas palavras que gostaria que fossem adotadas pela língua portuguesa. Por exemplo: Razbliuto, palavra russa que significa o sentimento carinhoso que nutrimos por uma pessoa que um dia amamos. Ou Mamihlapinatapei, vocábulo genial que pertence a um idioma indígena da Terra do Fogo. E que quer dizer, simplesmente, o "ato de olhar nos olhos do outro, na esperança de que o outro inicie o que ambos desejam mas nenhum tem coragem de começar". Depois dessa, só posso dizer uma coisa: uau!
Sunday, April 29, 2007
Pra Caralho
Qual expressão traduz melhor a idéia de muita quantidade do que "pra caralho"? "Pra caralho" tende ao infinito, é quase uma expressão matemática. A Via-Láctea tem estrelas pra caralho, o Sol é quente pra caralho, o universo é antigo pra caralho, eu gosto de cerveja pra caralho, entende?
Thursday, April 26, 2007
Foda-se
Foda-se! -
O nível de stress de uma pessoa é inversamente proporcional a quantidade de "foda-se!" que ele fala.
Existe algo mais libertário do que o conceito do "foda-se!"?
O "foda-se!" aumenta minha auto-estima, me torna uma pessoa melhor. Reorganiza as coisas. Me liberta.
- "Não quer sair comigo? Então foda-se!".
- "Vai querer decidir essa merda sozinho mesmo? Então foda-se!"
O direito ao "foda-se!" deveria estar assegurado na Constituição Federal.
Os palavrões não nasceram por acaso. São recursos extremamente válidos e criativos para prover nosso vocabulário de expressões que traduzem com a maior fidelidade nossos mais fortes e genuínos sentimentos.
É o povo fazendo sua língua. Como o Latim Vulgar, será esse Português Vulgar que vingará plenamente um dia.
O nível de stress de uma pessoa é inversamente proporcional a quantidade de "foda-se!" que ele fala.
Existe algo mais libertário do que o conceito do "foda-se!"?
O "foda-se!" aumenta minha auto-estima, me torna uma pessoa melhor. Reorganiza as coisas. Me liberta.
- "Não quer sair comigo? Então foda-se!".
- "Vai querer decidir essa merda sozinho mesmo? Então foda-se!"
O direito ao "foda-se!" deveria estar assegurado na Constituição Federal.
Os palavrões não nasceram por acaso. São recursos extremamente válidos e criativos para prover nosso vocabulário de expressões que traduzem com a maior fidelidade nossos mais fortes e genuínos sentimentos.
É o povo fazendo sua língua. Como o Latim Vulgar, será esse Português Vulgar que vingará plenamente um dia.






