A Dor da Culpa
- Oi, filho.
- Oi, pai.
- Que carinha é essa? Algum problema?
- Hein? Não, pai, não. Nada de mais.
- Filho, eu sou seu pai, e sei quando tem alguma coisa errada com você. Abre o coraçãozinho, vai.
- Bem, é que... Outro dia acordei com uma puta morta do meu lado.
- Uma puta morta, é?
- Sim, pai, foi horrível!
- Ora, filho, isso é normal! Você não sabe que as putas são cheias de doenças, micróbios e tudo mais? Então, elas morrem toda hora.
- Eu sei pai, mas o problema é que... Eu acho que fui eu que matei!
- Foi, é?
- Foi, pai, foi! Eu não lembro direito como aconteceu, tava muito louco naquele dia, mas acordei segurando uma arma, e ela não acordou com três tiros na cabeça!
- E quem disse que foi você quem matou? Quer dizer, alguém pode ter atirado e colocado a arma na sua mão enquanto você dormia.
- Mas era uma semi-automática igualzinha a que você me deu de natal!
- Ora, existem muitas semi-automáticas no mundo, e...
- Mas essa estava com uma etiqueta escrita de papai para Gabriel!
- Tava, é?
- Tava!
- É, então foi você mesmo. Mas e daí?
- E daí? E daí? E daí que eu matei uma mulher, a culpa está me matando! Eu não sei como vou conseguir viver com isso!
- Ah, garotinho ingênuo... Senta aqui que papai vai te ensinar uma coisa. Culpa só existe quando é dos outros. Quando é com a gente não é culpa, é acidente. Entendeu?
- Não!
- Um exemplo: se alguém entrasse no seu quarto, pegasse sua arma e desse três tiros na puta do seu lado, ele seria culpado, certo? Você ficaria revoltado, daria entrevista pro Datena, e quando capturassem o infeliz exigiria pena de morte.
- Mas fui eu que matei!
- Exatamente. Foi você que matou, portanto foi acidente. Você tava limpando a arma e ela disparou, acidente!
- Mas foram três tiros!
- Bem, você queria deixar ela bem limpa, acidente!
- Acidente, é?
- Acidente!
- Mas eu ainda sinto um pesinho na consciência...
- É só matar ela com álcool!
- É... Tem razão pai, tem razão, foi acidente! Obrigado pai, você é o maior!
- Que isso, filho, estamos aqui pra isso.
- Vou correndo contar pra mamãe!
- Er, filho, acho melhor não...
- Mamãe, o papai falou que culpa só existe quando é... Mamãe?! Aaaaaiiiiii! A mamãe morreu! Esfaquearam a mamãe! Pai, o que aconteceu?!
- É que... Foi acidente!
- Acidente?!
- Acidente!
- Acidente, é?
- É...
- Sei... Hahahahaha, ai papai, você não tem jeito mesmo!
- Hehe, eu sei, eu sei... Mas e aí, partiu Ice?
- Partiu! Mas e essa sujeira toda de sangue na cozinha?
- Ah, deixa aí que sua mãe limpa!
- Tá certo, a minha mãe... Ei!... Hahahahaha!
- Uhuhuhuhuhu!
http://www.refluxogastrico.blogspot.com/
- Oi, pai.
- Que carinha é essa? Algum problema?
- Hein? Não, pai, não. Nada de mais.
- Filho, eu sou seu pai, e sei quando tem alguma coisa errada com você. Abre o coraçãozinho, vai.
- Bem, é que... Outro dia acordei com uma puta morta do meu lado.
- Uma puta morta, é?
- Sim, pai, foi horrível!
- Ora, filho, isso é normal! Você não sabe que as putas são cheias de doenças, micróbios e tudo mais? Então, elas morrem toda hora.
- Eu sei pai, mas o problema é que... Eu acho que fui eu que matei!
- Foi, é?
- Foi, pai, foi! Eu não lembro direito como aconteceu, tava muito louco naquele dia, mas acordei segurando uma arma, e ela não acordou com três tiros na cabeça!
- E quem disse que foi você quem matou? Quer dizer, alguém pode ter atirado e colocado a arma na sua mão enquanto você dormia.
- Mas era uma semi-automática igualzinha a que você me deu de natal!
- Ora, existem muitas semi-automáticas no mundo, e...
- Mas essa estava com uma etiqueta escrita de papai para Gabriel!
- Tava, é?
- Tava!
- É, então foi você mesmo. Mas e daí?
- E daí? E daí? E daí que eu matei uma mulher, a culpa está me matando! Eu não sei como vou conseguir viver com isso!
- Ah, garotinho ingênuo... Senta aqui que papai vai te ensinar uma coisa. Culpa só existe quando é dos outros. Quando é com a gente não é culpa, é acidente. Entendeu?
- Não!
- Um exemplo: se alguém entrasse no seu quarto, pegasse sua arma e desse três tiros na puta do seu lado, ele seria culpado, certo? Você ficaria revoltado, daria entrevista pro Datena, e quando capturassem o infeliz exigiria pena de morte.
- Mas fui eu que matei!
- Exatamente. Foi você que matou, portanto foi acidente. Você tava limpando a arma e ela disparou, acidente!
- Mas foram três tiros!
- Bem, você queria deixar ela bem limpa, acidente!
- Acidente, é?
- Acidente!
- Mas eu ainda sinto um pesinho na consciência...
- É só matar ela com álcool!
- É... Tem razão pai, tem razão, foi acidente! Obrigado pai, você é o maior!
- Que isso, filho, estamos aqui pra isso.
- Vou correndo contar pra mamãe!
- Er, filho, acho melhor não...
- Mamãe, o papai falou que culpa só existe quando é... Mamãe?! Aaaaaiiiiii! A mamãe morreu! Esfaquearam a mamãe! Pai, o que aconteceu?!
- É que... Foi acidente!
- Acidente?!
- Acidente!
- Acidente, é?
- É...
- Sei... Hahahahaha, ai papai, você não tem jeito mesmo!
- Hehe, eu sei, eu sei... Mas e aí, partiu Ice?
- Partiu! Mas e essa sujeira toda de sangue na cozinha?
- Ah, deixa aí que sua mãe limpa!
- Tá certo, a minha mãe... Ei!... Hahahahaha!
- Uhuhuhuhuhu!
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